Ego Ella May

Ego Ella May Confirma: O futuro Do Soul É Profundo, Humano E Nada Artificial.

Este Jazzmasters mostra a black music em permanente mutação, mas sempre fiel ao groove, à emoção. De Los Angeles ao intimismo londrino, do rare groove de Chicago às pistas globais do nu-disco, tudo aqui conversa como se fizesse parte da mesma história.

Foto: St. Panther e Rae Khalil

As três primeiras faixas já deixam claro o espírito do set: como a musicalidade negra chega aos nossos tempos. St. Panther e Rae Khalil partem de Los Angeles em ´collab´, usando o groove quebrado, harmonias sofisticadas, é o neo-soul como ferramenta de leitura social, herdeiro direto de Stevie Wonder e da tradição politizada do R&B. Jordan Astra vem na sequência com seu soul moderno, olhando para o passado com carinho, mas fala em linguagem pop atual. E então Vessie Simmons puxa o fio da história para trás: soul feminino independente dos anos 70, direto, afirmativo, sem maquiagem. Aqui o programa ancora suas raízes, lembrando que muita coisa que hoje chamamos de “novo” já estava lá, prensada em compactos de sete polegadas.

Foto: Ego Ella May

Do quarto ao sexto momento, o clima desacelera e ganha profundidade emocional. Raheem DeVaughn conduz o ouvinte por uma “memory lane”, essa estrada da memória que conecta gerações, evocando Minnie Riperton e o soul espiritualizado dos anos 70 com a maturidade de quem construiu carreira fora do mainstream. No centro desse bloco está o grande destaque do programa: Ego Ella May. Em “What We Do”, ela mostra por que é uma das vozes mais importantes do soul britânico contemporâneo. Tudo é contido, preciso, íntimo. Baixo, percussão econômica, voz próxima ao ouvido. Ego não canta para impressionar, mas para comunicar. É soul como conversa, como cumplicidade, como gesto de humanidade em tempos acelerados. A faixa seguinte, com 01sail e Ámina, amplia essa sensação: é a nova geração tratando dor, vulnerabilidade e afeto sem pose, sem excesso, num R&B que nasce do quarto, do laptop e da vida real.

Foto: The Chi-Lites

Nosso Mestre Chico Aleixo, usa o feeling do DJ para encaixar as faixas 7 a 9, como puro legado em movimento. Citrus Sun, projeto de Bluey do Incognito, traz o soul-jazz que Londres exporta há décadas, agora em versão mais direta, revitalizando um clássico de Erikah Badu, reafirmando o valor do groove bem tocado. The Natural Four e The Chi-Lites mergulham fundo no catálogo setentista americano, lembrando por que Chicago e a Curtom foram tão importantes para a formação do soul sofisticado. Harmonias vocais, arranjos elegantes e letras que misturam escapismo e realidade: música feita para durar, redescoberta por DJs, sampleada por produtores, viva até hoje nas pistas e nos ouvidos atentos.

Foto: Yuki “T-GROOVE” Takahashi

O final do Jazzmasters, traz o diálogo do novo com o passado. The Free Label representa a nova geração que transforma funk e disco em experiência coletiva, banda tocando junto, famosos “bichos de palco” do Canadá. Na sequência The Grand Alliance aponta para o futuro, misturando soul, hip hop e afrofuturismo, conectando espiritualidade e herança de divas como Chaka Khan em linguagem contemporânea. E T-Groove e Angie Gooden encerram reafirmando a força global da black music: Japão, Canadá e Estados Unidos unidos por um mesmo código, baixo sintético, groove elegante e a eterna vontade de dançar.

No fim, este Jazzmasters lembra que a música negra não é um gênero: é uma linha contínua de expressão, resistência, prazer e reinvenção. E quando vozes como a de Ego Ella May, Grenique, Ámina e outras, surgem no meio desse caminho, fica claro que o futuro do soul está em boas mãos — sensíveis, conscientes e profundamente humanas.

Ainda não ouviu?? Ouça o Jazzmasters aqui.

A cantora britânica-nigeriana, premiada e já cult no circuito de nu soul londrino, apresenta aqui um single curto e suave, com baixo profundo e percussão macia co-produzido por Wu Lu, outro nome quente do sul de Londres. ´What We Do´chega preparando o novo álbum “Good Intentions” a ser lançado em março de 26. Uma batida precisa e vocais lindamente harmonizados que irão te encantar e trazer uma perspectiva positiva à vida, assim que você apertar o play.

Espero muito que vocês amem essa música tanto quanto eu. Tem uma pegada diferente do que estou acostumada, mas espero que vocês consigam perceber meu crescimento, todos os desafios que estou me superando nessa música, e a recompensa para mim é a pura empolgação e a confiança que se desenvolveram ao longo do processo de criação deste álbum. Me sinto renovada, sedutora, divertida, brincalhona e MUITO pronta para continuar compartilhando novas músicas…“, diz Ego Ella May.

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