Sekou, Aos 21 Anos, É O Novo Rosto E Voz do Soul

E estamos de volta com mais um Jazzmasters passeando pela linguagem única do Soul, que a cada momento revela novos talentos. E nessa linha um destaque claro, a chegada de Sekou, que não soa pra gente como promessa, mas realidade.

Foto: Saint Joshua

Jenevieve abre com “Hvn High” mostrando como a nova geração entendeu o jogo: misturar referências sem perder identidade. Há disco, há R&B, há pop, mas tudo filtrado por uma estética própria, leve e sofisticada. Na sequência, Saint Joshua traz “Sweet Talk”, um soul-pop britânico que aposta na emoção direta, limpa e que dialoga com nomes como Frank Ocean sem tentar imitá-los. E então entra Sekou. “Dangerous Lover” muda o eixo do programa. Há densidade, há herança, e como ele mesmo diz em entrevistas, ecos claros de Whitney Houston, Prince e da escola Motown, mas o que nos impressiona é o controle. Voz madura, interpretação consciente e uma estética que evita o vintage fácil. O nosso DJ Modell disse bem: “hoje muita gente tenta revisitar Motown pela estética, com roupa, visual e conceito. O Sekou parece ir por outro caminho, ele traz isso na essência da interpretação. É mais sobre sentimento do que sobre referência direta”. Concordamos 100%.

Foto: Natasha Watts

Natasha Watts entra com “I Do, I Did, I’m Done” trazendo o soul britânico em sua forma mais funcional: groove, leveza e uma narrativa emocional resolvida, com ritmo. Terri Walker aprofunda esse caminho em “You’re Not Coming Home”, com produção do Children of Zeus. É soul adulto, sem concessões. Já Cornell C.C. Carter, remixado por Full Intention, leva “I See Love” para a pista, conectando o Soul à house com naturalidade, algo que o gênero sempre soube fazer bem quando não força a mão.

Foto: Taborah Adams

No terceiro bloco, Dave Lee com Maurissa Rose entrega “Look At The Stars”, um house sofisticado, com vocais que crescem sobre uma base precisa. É pista com elegância. A releitura de Maxwell em “Ascension” reforça o quanto o neo-soul dos anos 90 ainda é matriz estética, difícil superar, mais ainda ignorar. E Taborah Adams revisita “You Know How to Love Me”, mantendo viva a conexão direta com Phyllis Hyman, em grande interpretação.

Foto: Peter Cetera

Na reta final, Lup Ino assume o lado mais funcional da pista com “Gonna Move Your Feet”, eficiente, direto, sem excessos. Chicago com Peter Cetera nos vocais reaparece com um clássico da banda Rufus, “Street Player”, lembrando como o diálogo entre jazz, funk e pop já era sofisticado décadas atrás. E Twism com B3RAO fecha com “State of Mind”, reafirmando a House como extensão natural da disco.

Ainda não ouviu? Ouça o Jazzmasters aqui.

Diretamente de Miami, Jenevieve abre o Jazzmasters cantando sobre querer fugir da rotina e das pressões externas para se perder num relacionamento com conexão emocional, levando ao estado de “embriaguez”, elevando tudo para um estado espiritual, celestial (o Hvn do título – “Hvn High”). E um R&B moderno, com voz doce e suava que vem cativando os ouvintes.

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